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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Saúde, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, Spanish, Música, Arte e cultura



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Jogo dos 7 erros


Reverse

Esse lugar dói. Passos lentos, indecisos, ou melhor, amedrontados. Sala de Pintura.

Os mesmos MDFs empoeirados e encostados de um ano atrás, mensagem fragilmente gravada com ponta de alguma ligação carbônica que falha minha memória na superfície virgem: “Não deixe de fazer seu trabalho...” e talvez seja por isso mesmo q o material ficará de herança para as mãos de quem quiser produzir algo daquilo q não consigo...

 

Armário, mapoteca com cadeado forçado, de onde fui gentilmente retirada, material intocado, chapas, impressões, ferramentas... é hora de limpar tudo isso, mas por onde começar? Só dói... resta trancar tudo de novo... e esperar o verniz secar.

 

Minha coluna está curvada... carregando há anos uma mochila q só vai entupindo, quase nada sai, quem sabe seja hora de tomar um ar também.

 

Sol, sol... e essa camiseta laranja começa a incomodar, começa a sufocar, andando chego então, impelida, no centro descentralizado de uma quase circunferência onde tudo começou. No desenho de 6 anos atrás ganhado de presente tudo era monocromático, intenso e completo, hj resta o mesmo banco do primeiro encostar de mãos, só q partido aos pedaços...

 

Quase desespero... será q alguém o quebrou????????? Impossível... não teria forças pra isso... daí lembro q desde aquela época o banco tinha uma fenda, uma falha, uma rachadura... e foi justamente aí q partiu...ou será q isso foi um truque da minha memória pra tentar justificar... quando paro pra reparar em torno todo o resto é silêncio e eu acreditava piamente q havia alguma coisa zunindo...

 

é... deve ser um truque...

 

Aquele banco, sem querer era depositário de todas as minhas lembranças, era um baú, era um totem a ser adorado e ao qual eu devia respeito, talvez ele fosse o peso nas minhas costas e agora estava partido, talvez fosse uma metáfora de tudo o q eu acreditava ser belo. Amor perfeito? Só mesmo o nome da flor... o banco estava agora partido e bem partido, o desenho era agora só mais uma lembrança.... era melhor sair dali...

 

Na escadaria, ainda olhei pra trás... e eu ainda havia gravado sobre ele com um dos seus próprios pedaços: “broken home”... era um túmulo...e em volta da grama descuidada começava a surgir cor... e assim sem mais nem menos o silêncio voltou...



Escrito por Uneasy às 11h37
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Pior é descobrir-se chorando não por um novo amor... isso seria bom, mas pela própria carência e de novo...

Não por saudade, mas porque a possibilidade de cometer qualquer erro é muito mais imediata

Isso me faz desacreditar então...



Escrito por Uneasy às 15h45
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Versão 2.0 (glazed-eye)

Linha preta duplicada entre o vidro quase apagado de pó e uma fresta aberta pela mão abusiva de alguém que já havia se apagado muito antes de tentar enxergar através do meu vidro. Não dava pra ver nada lá fora... só essa linha que se erguia muito imponente amarrada por dois mastros de luz amarelada.

Havia também o reflexo da enorme bola de papel desenhado que iluminava a sala e dos fragmentos de objetos que substituíam as ausências. Inúmeros pedaços de corpos artificiais espalhados sobre os poucos móveis... e cá dentro, outras linhas pretas e cinzas serpenteavam pelo chão enquanto Pandora desfilava enfurecida seu aglomerado de pelos brancos e cinzas e afiava os dentes na barra da minha calça.

De um fragmento a outro os jogos se perdiam e se confundiam na falha memória... já não sabia o que vinha primeiro, já havia esquecido a importância... hora da limpeza... pelo menos um terço iria para o limbo.

E no formol diário e ameno de antisépticos e sais repousavam as lentes que fizeram a vista coçar o tempo todo, irritando... até a hora de poder desligar e ser ninguém.

Nada podia ser genuíno, esses olhos não são meus, nem essa boca, nem esse nariz, nem o queixo, os braços, as pernas, o cabelo e tudo poderia ainda se perder nessa colagem de gerações mescladas através de guerras particulares.

E durante a noite transitava o que podia me escapar das mãos e a saudade de tudo aquilo que pra mim foi um dia além... 



Escrito por Uneasy às 11h03
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Dois casais de velhinhos lindos sentados em lados opostos do vagão... de um lado... uma senhora de saia cinza de lã, meias grossas e sapato boneca baixo, camisa branca de crochê fechada até o pescoço e um camafeu. Brincos de pérola, mãos dadas com o marido... magriiiiinho....

 Do outro lado um casal robusto... a mulher parecia uma das cantoras em bicicletas de belleville... não cansava de olhar e lembrar do filme... lembrar da música... o marido... praticamente aquele cachorro fiel e gordo que esperava na janela o trem passar pra latir....

 De repente, uma figura inusitada adentra o recinto... chapéu de lado, calça jeans, paletó azul velo e manchado, camiseta (sim... camiseta) amarela e uma gravata por cima da camiseta (preta).

 (LINHA AZUL e de novo... ACESSO À LINHA DOIS NO PARAÍSO)

 Do nada... aquela figura inusitada começa a falar sozinha... compulsivamente...

 Com a maior pinta de radialista... vozerão... narrou uma corrida de fórmula 1, depois um jogo de futebol e intercalava entre as paradas nas estações com a frase: “abre e fecha porta... vai perder o dedinho...” com direito à ênfase nos “ds” de dedinhos... as pessoas começaram a se afastar... eu estava tão entretida que cheguei mais perto pra ouvir... o cara não me parecia louco... parecia mais uma cena.... era como se eu estivesse sentada no puff da sala com o controle remoto da tv na mão, zapeando canais...

 (LINHA VERMELHA)

 Desci na Sé... sentido casa da mamãe...me esperavam no metrô Belém há mais de meia hora... e eu pensando em como o trem parecia deslizar entre a estação Pedro II e o Brás... como se não existisse atrito... e numa das poucas linhas que não cavaram buracos... o trem flutuava no quadrado de paisagem veloz na minha frente...

 Segunda bizarrice do dia... não sei como um “Jack” conseguiu passar pela segurança... na porta, encostado cortou meu pensamento feliz de domingo ensolarado e frio, um ser com uma foice virada para baixo... (??????????)

 Daí pensei... se isso fosse um filme de suspense e tivessem que achar o psicopata, provavelmente não seria tão óbvio... o cara da linha anterior era mais esquisito... até os velhinhos eram esquisitos... lembrei dos personagens de Lynch... aliás... ultimamente as pessoas que cruzam meu trajeto têm sido estranhas...

 Depois... passeio de carro com meu irmão que acabou de tirar a carta... ele quis ir até a Liberdade pra comprar um presente de aniversário pro amigo... até conseguirmos sair do Belém foi uma missa... um passeio ciclístico estava fechando as ruas... tentávamos desviar por “rotas alternativas” e lá vinham aqueles milhares pares de rodas equivocadas nos perseguindo... isso foi só divertido... mas não foi engraçado, nem esquisito... eu estava verborrágica... não parava um segundo de falar... falar bosta... como sempre... até que uma hora fiquei cansada e me calei... daí minha mãe que começou a falar... e quando mãe começa a falar sai de baixo...



Escrito por Uneasy às 23h46
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08-06-2004

O meu corpo desafiava aquele túnel nervoso que parecia não ter fim. Pelo menos meus olhos não podiam alcançar sua profundidade, era então uma garganta infinita expelindo sua língua comprida de aço escovado e alumínio sobre ferro.

 

Antes vinha um sopro, conforme a velocidade dos rangidos, cada vez mais forte, meu corpo balançava e quase empurrado caía pra trás. Eu tentava segurar-me no próprio ar, abri um pouco os braços, as palmas viradas pra frente, o cabelo invadindo os olhos e a boca. Fechei-os e fingi ser tule transparente sem deixar-me cair. Desisti então de enraivecer pelo sopro e desejei, só nesse segundo, ser feita do mesmo ar em trânsito e veloz.

 

Quando a língua exibiu-se, quase tangendo as margens da boca, o sopro extinguiu-se e começou então a troca dos fluídos, cada um com seus próprios problemas, sem rostos, centenas de cores, pares de calças, cachecóis e gorros, pastas, malas, mochilas, apostilas, cadernos, cinqüenta centavos caindo no chão, e pressa. Eu tinha a sensação de ser a única parada sobre o relógio digital da estação. Imaginei-me sentada lá em cima, olhando as trocas, entra e sai, sobe e desce. Finalmente entrei em um dos tacelos, quando já havia me entediado de somente observar a mesma repetição, mas sem me preocupar se tinha que descer, se tinha hora pra chegar, quem estava me olhando ou não, e algumas moças insistiam em ajeitar o cabelo no reflexo do vidro da porta ou da janela, quando não existiam tantas luzes, quando estávamos no meio de algum dos túneis parados.

 

Eu segurava meu gorro vermelho na mão, as luvas na bolsa e vi que um menino via um pedaço da minha meia também vermelha por entre os meus sapatos e a calça jeans azul escura meio desbotada. Depois olhou pros meus olhos e ficou constrangido porque viu que eu o via e o encarava quase questionando: “o que há de estranho nas meias vermelhas?” e ele me respondia silenciosamente: “nada, nada”, mas pensando bem era uma composição interessante. A blusa era verde com listras coloridas e meus óculos também verdes, eu devia estar obviamente contrastante demais. Tão óbvio quanto preto e branco... percebi então que sou sempre óbvia na maneira de me vestir, daí olhei pro lado e vi uma senhora que era praticamente genial, porque poderia estar exposta juntamente com um quadro do Rothko, hehe... perdoem-me os artistas plásticos e historiadores de arte de plantão. A blusa dela também era verde, mas um verde menos quente, com um pouco mais de amarelo, mas muito cinza, e tinha faixas rosa choque bem berrante grossas e finas faixas roxas, gorro rosa bebê e amarelo ovo, calça marrom esverdeado... como eu nunca teria a coragem de sair com aquelas cores lindas todas juntas!!!!! Deu uma bela pintura na minha cabeça... embora eu não tenha nem tinta, nem tela pra executá-la e me deparar com outros problemas da cor...



Escrito por Uneasy às 15h09
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Para inaugurar meu novo blog... divirtam-se



Escrito por Uneasy às 20h02
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